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Curto muito essas imagens que vejo diariamente, na televisão e nos jornais, de bandido que, ao ser preso e algemado, arranca a jaqueta e enrola na cabeça para esconder a cara. Esses babacas só são “homens” na hora de cometer o delito. Diante de tantas dessas cenas, que são diárias e hilárias, já estou me tornando fã de bandidos de todos os escalões – do ladrão de galinhas ao Cacciolla – que encaram a polícia, os telespectadores e leitores, de cara limpa, sem jaqueta.
Mesmo não tendo passado por esse tipo de experiência, pois jamais fui levado preso a uma delegacia, garanto-lhes que, se um dia acontecer – neste mundo tudo é possível enquanto se vive –, juro que não vou esconder a cara. Até porque, considero-me um ser razoavelmente inteligente para saber que quem tem um montão de amigos advogados, logo estaria em liberdade, independentemente do crime que venha a cometer. Ligaria para qualquer um dos muitos amigos advogados, e tudo bem.
Delinqüentes machos, tipo Salvatore ou Dantas (só para ficar com atores em evidência), não estão nem aí com o cenário que a polícia monta. O que a polícia monta, qualquer bom advogado desmonta. Pobre polícia. Não bastassem os furos da lei, os buracos dos inquéritos feitos a toque-de-caixa são suficientes para facilitar os hábeas corpus. Está cheio de juizes bonzinhos. Não raramente homens da Justiça têm sido manchetes como protagonistas de façanhas nada exemplares. Até tu, Gilmar!...
Outra coisa deplorável é o direito consagrado de o sujeito ficar mudo. E, quando se trata de políticos, então, é fantástico. Logo eles que – à exceção de alguns do baixíssimo clero, que conheço – dão de dez em qualquer papagaio. E o dispositivo legal que concede regalias ao réu primário? Traduzindo, é o mesmo que afirmar: “você tem direito de matar um”. Por que está perdendo tempo se você curte ódio por alguém? Manda bala! Uma só vez, claro. Não pode exagerar, deixar de ser primário.
Lembro-me do “Nico”. Nunca fiquei sabendo seu verdadeiro nome. Bandido bom usa apenas pseudônimo. Nico, embora magrelo, era um bandidaço. Amigo de um amigo meu, que também militava na área, embora mais discretamente. Nem tão discreto, tanto é que liquidaram com ele aqui no Paraná. O Nico fizeram falecer há vários anos, nas imensidões do Mato Grosso, depois de matar um policial. A polícia o atocaiou, segundo me contaram. Bandido acha que nunca chega sua vez.
Esse meu falecido amigo pistoleiro, que era chefe do Nico, por iniciativa própria, mandou-lhe falar comigo para oferecer seus préstimos. Ele apagaria os caras que mataram meu irmão lá no Mato Grosso. Na hora de se apresentar, foi logo disparando: “o senhor sabe, já apaguei um montão. Sei fazer o serviço bem feito e, se um dia me pegarem, não vai ser por causa daqueles que já despachei”. Se bem entendi, depois de tantas façanhas, se pego, ele seria tratado como réu primário.
Mas deixa pra lá. Não sei por que agora, essa história do Nico. Eu só queria falar dos bandidos que escondem a cara na frente dos fotógrafos e cinegrafistas. Se você observar bem, na hora de retirar a jaqueta, não é um rosto que você vê. É uma coisa esquisita, tipo bunda com orelhas, mal lavada. Portanto, recomendo: se fizer esse tipo de cagada, seja homem, mostre a cara, esconda a bunda.
Walter Zimermann - |